Caatinga

O que é a Caatinga?

A Caatinga ocupa 11% do território brasileiro, cobrindo cerca de 844.453 km². Está presente nas regiões semiáridas do Brasil, nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e Minas Gerais. É um bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados, principalmente pela exploração irresponsável dos seus recursos naturais. O nome vem da língua tupi-guarani e significa “mata branca”, devido à coloração das plantas no período da seca.

O que é a Caatinga?
Como é a vegetação da Caatinga?

Como é a vegetação da Caatinga?

A vegetação da Caatinga é composta predominantemente por árvores de pequeno porte e arbustos. É caracterizada pelas adaptações ao calor e à seca como, raízes profundas, folhas pequenas, presença de espinhos e de tecidos que armazenam água.

Clima

O clima é semiárido, com temperaturas médias que variam de 25°C a 30°C. Chove pouco na Caatinga, cerca de 400 e 1.200 mm por ano. Em algumas regiões a precipitação pode ser maior, cerca de 1.800 mm anuais. O período chuvoso é curto, podendo durar de três a seis meses.

Clima

Leitura e diversão!

Biodiversidade

Biodiversidade

Apesar de ter sido negligenciada por muitos anos, a Caatinga é rica e diversa. A fauna e a flora promovem inúmeros serviços ambientais como alimentação, fornecimento de matéria prima, proteção dos recursos hídricos, captação de carbono, entre outros.

Flora da Caatinga

A flora da Caatinga apresenta 4.963 espécies de plantas, sendo 700 endêmicas e 253 ameaçadas.

Flora da Caatinga

Conheça algumas espécies de plantas da Caatinga

Conheça algumas espécies de plantas da Caatinga
  • Mandacaru, a planta símbolo da Caatinga

O mandacaru (Cereus jamacaru DC.) é um cacto de grande porte nativo das áreas menos secas da Caatinga. É a planta símbolo do bioma, cujo nome vem da língua tupi e significa árvore com espinhos. Produz flores brancas que se abrem durante à noite e são polinizadas por mariposas e morcegos. O fruto possui polpa branca e sementes pretas, é bastante apreciado pela população local devido ao dulçor.

  • Umbuzeiro, a árvore sagrada do sertão
  • Apelidada por Euclides da Cunha como árvore sagrada do sertão, o umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) é uma espécie de grande importância para o sertanejo da Caatinga. O seu nome vem do tupi-guarani ymbu, que significa “árvore que dá de beber”, pois armazena água em grande quantidade nos xilopódios que são utilizados para a alimentação animal nos períodos de seca. Floresce no início das primeiras chuvas, produzindo frutos adocicados usados para consumo in natura e para fabricação de doces. A copa produz sombra larga que alivia o calor dos animais e trabalhadores do campo nos dias mais quentes.

    Umbuzeiro, a árvore sagrada do sertão
    Catingueira, a espécie amiga das abelhas

  • Catingueira, a espécie amiga das abelhas
  • Famosa pelo odor ruim de suas folhas, a catingueira (Poincianella pyramidalis (Tul.) L. P. Queiroz) é uma árvore endêmica do bioma. Produz flores amarelas que fornecem pólen e néctar para borboletas, beija-flores e abelhas. Muitas espécies de abelhas, inclusive as sem ferrão, utilizam o tronco para construírem seus ninhos, o que a torna uma planta importante para a conservação desses animais e para a produção de mel.

  • Carnaúba, a palmeira da vida
  • Apesar de ser uma espécie de palmeira, Copernicia prunifera (Mill.) H. E. Moore (carnaúba) foi apelidada como “árvore da vida”. É assim chamada devido a grande importância econômica, pois praticamente todas as suas partes são aproveitadas. A superfície das folhas é recoberta por uma camada de cera que ao ser extraída e processada torna-se um importante componente para produtos de limpeza doméstica e automotiva, de higiene, cosméticos, plásticos, chips de computadores e placas eletrônicas. As folhas secas são utilizadas para a confecção de artesanato, as raízes na medicina popular e o caule na construção de residências.

    Carnaúba, a palmeira da vida

    Fauna da Caatinga

    Os animais da Caatinga são adaptados às condições climáticas como o calor e a seca. Há espécies que migram para áreas mais úmidas no período da seca, enquanto outras permanecem dormentes aguardando as primeiras chuvas. Hábito noturno para fugir das altas temperaturas e mudanças sazonais na alimentação são outras características importantes da fauna desse bioma.

    Arara-azul-de-lear, a espécie descoberta pelo sobrinho de Napoleão

    Arara-azul-de-lear, a espécie descoberta pelo sobrinho de Napoleão

    A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari Bonaparte, 1856) é uma espécie endêmica da Caatinga. Foi descrita no século dezenove por Charles Lucien Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte. Ave de beleza exuberante possui o corpo coberto por diferentes tons de azul: esverdeado na cabeça e pescoço, desbotado na barriga e cobalto na parte superior das asas e da cauda. Estima-se que atualmente exista cerca de 228 indivíduos capazes de reproduzir, fato importante para a inclusão da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Um dos motivos da queda da população é a diminuição na oferta de alimentos, principalmente dos frutos de licuri, devido à ação do homem como o desmatamento, queimadas, criação de gado e mineração. A arara-azul-de-lear é muito cobiçada por colecionadores internacionais, fato que incentiva o comércio ilegal desses animais.

    Veado-catingueiro, o animal símbolo da Caatinga

    Veado-catingueiro, o animal símbolo da Caatinga

    Apesar de ser o animal símbolo da Caatinga, Mazama gouazoubira (G. Fischer [von Waldheim], 1814) não é uma espécie exclusiva desse bioma. Pode ser encontrada em todo o Brasil devido a sua capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Com altura média de 58 cm, pode pesar até 25 kg. Os machos apresentam chifres sem ramificações. É um animal com hábito noturno e crepuscular. Pode viver solitário ou formando casais. Marca seu território retirando a casca das árvores, e deixando fezes e urina pelo caminho.

    Mocó, o roedor mais simpático da Caatinga

    Mocó, o roedor mais simpático da Caatinga

    Kerodon rupestres (Wied-Neuwied, 1820), também conhecido como mocó, é um roedor que vive nas áreas rochosas da Caatinga. Pode medir até 40 cm de comprimento e pesar 900 g. Possui pêlos macios e é bastante dócil. Herbívoro de hábitos matutino e noturno, esconde-se dos predadores em fendas e rachaduras nas rochas. A sua carne é bastante apreciada por caçadores, o que causou uma diminuição da população, colocando a espécies em situação vulnerável. Hoje, só é encontrado em áreas protegidas e de difícil acesso.

    Rã-da-caatinga, o anfíbio que dorme

    Rã-da-caatinga, o anfíbio que dorme

    Esse pequeno anfíbio, Pleurodema diplolister (Peters, 1870), pode passar de 10 a 11 meses enterrado e sem comer durante o período de seca na Caatinga. Esse processo é chamado de estivação e ajuda na sobrevivência nos períodos de clima desfavorável. Quando começam as primeiras chuvas eles emergem do solo a procura de rios e lagoas. Os machos emitem um som parecido com uma sirene para chamarem as fêmeas para o acasalamento.

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    Caatinga: Cruzadinha